Dor no ombro: o que pode ser e quando procurar o ortopedista

Atualizado: há 6 dias
Dor no ombro é uma das queixas que mais vejo no consultório, e quase todo mundo chega com a mesma pergunta: é grave? Na maioria das vezes, não. Mas o jeito como o ombro dói, a hora em que dói e o que aconteceu antes dão boas pistas sobre a causa. Este texto é um mapa dessas pistas, com links para os artigos em que explico cada problema em detalhe.
Antes de tudo: quando não é o ombro
Dor no ombro esquerdo junto com aperto no peito, falta de ar, suor frio ou náusea pode ser infarto. Nesse caso, vá direto a um pronto-socorro.
A coluna cervical também engana: dor que começa no pescoço e desce pelo braço, com formigamento nos dedos, muitas vezes vem de um nervo comprimido no pescoço, e não do ombro.
Dor ao levantar o braço
É o padrão mais comum. A dor aparece numa faixa do meio do movimento, fica na parte de cima ou do lado do ombro e pode descer até perto do cotovelo. Na maior parte das vezes, são os tendões do manguito rotador irritados e a bursa inflamada: a conhecida bursite ou tendinite do ombro. Explico o que ajuda de verdade, e o que não precisa ser feito, no artigo sobre bursite e tendinite do ombro.

Dor à noite e perda de força
Quando, além da dor, existe fraqueza (dificuldade para segurar um copo longe do corpo ou para pentear o cabelo) e a dor acorda à noite, é preciso pensar em lesão do manguito rotador. Nem toda lesão precisa de cirurgia: muitas, principalmente as parciais, melhoram com tratamento conservador. O que define a conduta é o tipo de lesão, a idade, a atividade e quanto ela atrapalha a vida.

Ombro que foi ficando duro
Se o ombro foi perdendo movimento aos poucos, em todas as direções, sem queda nem pancada, e ficou difícil colocar a mão nas costas ou vestir uma blusa, a suspeita é de ombro congelado (capsulite adesiva). É mais comum entre os 40 e os 60 anos e em quem tem diabetes ou doença da tireoide. Costuma melhorar, mas leva meses, e cada fase pede um cuidado diferente.
Depois de uma queda ou de um tranco
Ombro que saiu do lugar, ou a sensação de que vai sair em certos movimentos, é luxação e instabilidade do ombro, mais comum em jovens e em quem pratica esporte. Já no idoso, uma queda da própria altura com dor forte e roxo no braço faz pensar em fratura do ombro. Nos dois casos, vale ser avaliado logo, porque o tempo conta.
Dor funda, rigidez e estalos com o passar dos anos
Dor que piora com os anos, sensação de areia dentro da articulação e perda de movimento, geralmente depois dos 60, podem ser artrose do ombro. O tratamento começa sem cirurgia, e a prótese entra na conversa quando a dor e a limitação passam a mandar no dia a dia.
Como chego ao diagnóstico
A conversa e o exame físico vêm antes de qualquer exame de imagem. O raio-X mostra ossos, artrose e calcificações; o ultrassom e a ressonância avaliam tendões, bursa e cartilagem. Um cuidado importante: laudos com "tendinose", "bursite" ou até "lesão parcial" são comuns em pessoas que não sentem nada. Por isso, o exame só faz sentido junto com o que se vê na consulta.

Quando procurar um especialista
Dor que já passou de duas ou três semanas sem melhorar.
Dor que acorda você à noite.
Perda de força ou de movimento.
Dor depois de queda, luxação ou trauma.
Dor forte e súbita, sem causa aparente.
Na maioria das vezes, o tratamento é conservador. Mas precisa ser o tratamento certo para a causa certa, e é aí que a avaliação faz diferença.
Atendo no Einstein Morumbi e por teleconsulta. Se quiser entender o seu caso, é só chamar pelo WhatsApp: (11) 91416-7579.
Dr. Rogério Serpone Bueno · Ortopedia e Traumatologia, Cirurgia do Ombro e Cotovelo · CRM/SP 105.133 · RQE 23065. Este texto tem caráter informativo e não substitui a consulta médica. Imagens ilustrativas.




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