Fratura do ombro no idoso: nem toda precisa de cirurgia, mas toda precisa de avaliação

Na maioria das vezes, não é um grande acidente. É uma queda da própria altura: um tropeço no tapete, um escorregão no banheiro, a mão ou o ombro batendo no chão. Depois disso, o ombro dói muito, o braço não levanta e, em poucos dias, aparece um roxo grande que desce pelo braço. É o retrato típico da fratura do úmero proximal, a fratura do ombro mais comum em pessoas acima dos 65 anos.
O que é essa fratura
É a quebra da parte de cima do úmero, o osso do braço, logo abaixo da articulação do ombro. Ela pode ser uma trinca simples, com os fragmentos no lugar, ou uma fratura com vários pedaços desviados. É descrita como a terceira fratura mais comum ligada à osteoporose, depois das fraturas do punho e do quadril.
Sinais mais comuns
Dor forte no ombro logo após a queda.
Dificuldade ou impossibilidade de levantar o braço.
Inchaço e roxo que aparece em um a três dias e pode descer até o cotovelo e o peito.
Formigamento ou fraqueza na mão, que precisam ser avaliados com urgência.
Como é feito o diagnóstico
O raio-X confirma a fratura e mostra se os fragmentos estão no lugar. Quando há desvio ou vários pedaços, a tomografia, inclusive com reconstrução em 3D, ajuda a entender exatamente o tipo de fratura e a planejar o tratamento. O exame também avalia nervos e circulação do braço.


Nem toda fratura precisa de cirurgia
Muitas fraturas do ombro no idoso, principalmente as com pouco desvio, são tratadas com tipoia por algumas semanas e movimento precoce orientado por fisioterapia. Estudos bem conduzidos em idosos mostraram que, mesmo em parte das fraturas com desvio, o tratamento sem cirurgia pode ter resultado semelhante ao da cirurgia. A decisão leva em conta o padrão da fratura, o desvio, a qualidade do osso, a idade, a saúde geral e o quanto a pessoa usa o braço no dia a dia.
Quando a cirurgia entra na conversa
Fraturas muito desviadas ou com vários fragmentos.
Fratura associada à luxação do ombro (fratura-luxação).
Pessoas ativas, para quem a função do ombro pesa muito na independência.
As opções incluem a fixação com placa e parafusos ou com haste dentro do osso. Em fraturas complexas, com osso frágil, a prótese reversa de ombro pode ser a melhor alternativa. Toda cirurgia tem riscos e um período de recuperação que precisam ser discutidos com o paciente e a família antes da decisão.
A fratura pode ser um alerta
Uma fratura depois de uma queda simples costuma indicar que o osso já estava frágil. Por isso, além de tratar o ombro, vale investigar e tratar a osteoporose e reduzir o risco de novas quedas: revisar medicações que dão tontura, melhorar a iluminação da casa, retirar tapetes soltos e fortalecer a musculatura. É a forma de evitar que a próxima fratura seja no quadril.
Como costuma ser a recuperação
Com ou sem cirurgia, o movimento começa cedo, de forma leve e orientada, para evitar que o ombro endureça. A consolidação do osso leva algumas semanas, e o ganho de movimento e força continua ao longo de meses. O objetivo principal é devolver a autonomia para as tarefas do dia a dia, como se vestir, pentear o cabelo e cuidar da higiene.
Quando procurar atendimento
Depois de uma queda com dor forte no ombro e dificuldade para mexer o braço, procure atendimento para fazer o raio-X. Se a fratura for confirmada, vale a avaliação de um ortopedista de ombro para definir o melhor caminho, que muitas vezes é sem cirurgia.
Atendo no Einstein Morumbi e por teleconsulta. Se quiser entender o caso de alguém da sua família, é só chamar pelo WhatsApp: (11) 91416-7579.
Dr. Rogério Serpone Bueno · Ortopedia e Traumatologia, Cirurgia do Ombro e Cotovelo · CRM/SP 105.133 · RQE 23065. Este texto tem caráter informativo e não substitui a consulta médica. Imagens ilustrativas, sem identificação de pacientes.




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