Ruptura do bíceps distal (no cotovelo): por que o tempo importa

A história costuma ser parecida: um esforço para segurar ou levantar algo pesado, um estalo na frente do cotovelo, dor forte na hora e, alguns dias depois, um roxo no antebraço e o bíceps com um formato diferente. Muita gente espera a dor passar para ver se melhora. Nesse caso, esperar demais pode custar caro.
O que é a ruptura do bíceps distal
O bíceps se prende no antebraço, logo abaixo do cotovelo, por um tendão. Quando esse tendão se solta do osso, o músculo perde o ponto de apoio e se encolhe em direção ao ombro. A lesão é mais comum em homens entre 40 e 60 anos e costuma acontecer quando o cotovelo é forçado a esticar enquanto o bíceps está contraído, como ao segurar um peso que escapa. Tabagismo e uso de anabolizantes aumentam o risco.
Sinais que chamam a atenção
Estalo súbito na frente do cotovelo durante um esforço.
Dor na dobra do cotovelo, que pode melhorar em poucos dias, o que engana.
Roxo na frente do cotovelo e no antebraço.
O bíceps "sobe" e forma uma bola no braço: o chamado sinal do Popeye.
Fraqueza para girar o antebraço, como ao usar uma chave de fenda ou abrir uma maçaneta.

Por que o tempo importa
Depois que o tendão se solta, o músculo começa a retrair e o tendão cicatriza fora do lugar. Nas primeiras semanas, em geral em torno de três, costuma ser possível fixar o tendão de volta diretamente no osso. Com o passar do tempo, ele encurta, a cirurgia fica mais trabalhosa e, em alguns casos, é preciso usar um enxerto para alcançar o ponto de fixação.

Como é feito o diagnóstico
O exame físico já diz muito: o ortopedista palpa a dobra do cotovelo procurando o tendão e testa a força para dobrar o cotovelo e girar o antebraço. O ultrassom ou a ressonância confirmam se a ruptura é completa ou parcial e mostram quanto o tendão retraiu, informações que ajudam a planejar o tratamento.
E se não operar?
O cotovelo continua dobrando, porque outros músculos ajudam nesse movimento. O que mais se perde é a força para girar o antebraço (a supinação), usada para virar uma chave, abrir um pote ou usar uma chave de fenda, além de resistência ao esforço repetido. Uma meta-análise com 1.380 pacientes (Cuzzolin e colaboradores, 2021) encontrou força de supinação em torno de 63% em quem não operou, contra 89% em quem operou. O tratamento sem cirurgia pode ser uma escolha razoável para quem tem menor demanda física ou riscos maiores para operar, e essa decisão é individual.

Como é a cirurgia
Por uma incisão na frente do cotovelo, o tendão é recuperado e fixado de volta no osso do antebraço, geralmente com um pequeno botão metálico ou âncoras. Em lesões antigas, pode ser necessário um enxerto de tendão. Como toda cirurgia, tem riscos, entre eles alteração de sensibilidade na pele do antebraço, que costuma ser passageira, e outros que precisam ser conversados com calma antes.
Como costuma ser a recuperação
O cotovelo fica protegido por pouco tempo, e o movimento leve começa cedo, com orientação de fisioterapia. Atividades do dia a dia voltam nas primeiras semanas, enquanto carga e esforço com o braço, como musculação e trabalho pesado, costumam ser liberados de forma gradual ao longo de alguns meses. O tempo varia conforme o tipo de lesão, o tempo até a cirurgia e a reabilitação.
Quando procurar um especialista
Se você sentiu um estalo na frente do cotovelo durante um esforço, notou roxo no antebraço ou viu o bíceps mudar de formato, procure um ortopedista de cotovelo o quanto antes, mesmo que a dor já tenha melhorado. Dor do lado de fora do cotovelo, sem estalo, costuma ter outra causa, como a epicondilite lateral.
Atendo no Einstein Morumbi e por teleconsulta. Se quiser entender o seu caso, é só chamar pelo WhatsApp: (11) 91416-7579.
Dr. Rogério Serpone Bueno · Ortopedia e Traumatologia, Cirurgia do Ombro e Cotovelo · CRM/SP 105.133 · RQE 23065. Este texto tem caráter informativo e não substitui a consulta médica. Imagens ilustrativas.




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