Artrose do ombro e prótese: quando o desgaste pede cirurgia

A artrose do ombro raramente aparece de uma vez. Ela vai tirando a função aos poucos: primeiro fica difícil pegar algo no alto, depois vestir uma camisa, depois pentear o cabelo. Muita gente se adapta por anos sem perceber o quanto deixou de fazer, até a dor começar a atrapalhar o sono.
O que é a artrose do ombro
É o desgaste da cartilagem que reveste a cabeça do úmero e a glenóide, as duas superfícies que deslizam uma sobre a outra a cada movimento. Sem essa camada lisa, o atrito aumenta, o osso reage formando bicos (os osteófitos) e a articulação fica dolorida e rígida.
Ela pode ser primária, ligada à idade e à genética, ou secundária: depois de fraturas, de luxações repetidas ou de uma ruptura grande e antiga do manguito rotador, que deixa a cabeça do úmero subir e desgastar a articulação (a chamada artropatia do manguito).
Sintomas mais comuns
Dor funda no ombro, que piora com o uso e muitas vezes à noite.
Rigidez progressiva, principalmente para girar o braço para fora e levá-lo para trás.
Estalos ou sensação de areia ao mexer o ombro.
Dificuldade crescente em tarefas simples, como se vestir, tomar banho ou alcançar uma prateleira.
Como é feito o diagnóstico
O exame físico e o raio-X costumam bastar para confirmar a artrose. A tomografia ajuda a planejar uma eventual cirurgia, mostrando o formato e o desgaste da glenóide, e a ressonância avalia o manguito rotador, que é decisivo para escolher o tipo de prótese.

Tratamento sem cirurgia
Nas fases iniciais e moderadas, o objetivo é controlar a dor e manter o movimento:
Fisioterapia e exercícios regulares para preservar mobilidade e força.
Medicação para dor nos períodos de piora.
Ajustes nas atividades, sem abandonar o movimento.
Infiltrações em momentos selecionados, para aliviar crises.
Esses tratamentos aliviam, mas não recuperam a cartilagem perdida. Por isso, a decisão de operar não vem do raio-X, e sim de quanto a dor e a limitação estão tirando da sua vida.
Quando a prótese entra na conversa
Quando a dor persiste apesar do tratamento bem feito, atrapalha o sono e limita as atividades do dia a dia, a prótese de ombro passa a ser uma opção. Ela substitui as superfícies desgastadas por componentes de metal e polietileno. Existem dois tipos principais:
Prótese anatômica: reproduz o formato natural do ombro. É indicada quando o manguito rotador está bom.
Prótese reversa: inverte a posição das peças, para que o músculo deltóide faça o trabalho do manguito. É usada quando o manguito está rompido ou insuficiente, em algumas fraturas e em casos mais complexos.
A escolha depende do exame, das imagens, da idade e das atividades de cada pessoa. Como toda cirurgia, a prótese tem riscos, como infecção, instabilidade e desgaste ao longo do tempo, que precisam ser discutidos com calma antes da decisão.
Como costuma ser a recuperação
O braço geralmente fica em tipoia por algumas semanas, e a fisioterapia começa cedo, com movimentos leves. Atividades do dia a dia, como comer, se vestir e cuidar da higiene, costumam voltar nas primeiras semanas a meses, e o ganho de movimento e força continua ao longo do primeiro ano. O resultado varia conforme o tipo de prótese, o estado dos músculos e a dedicação à reabilitação.
Quando procurar um especialista
Se a dor no ombro está tirando seu sono, se você vem deixando de fazer coisas que gostava ou se já recebeu um laudo de artrose e quer entender as opções, vale uma avaliação com ortopedista de ombro. Nem todo caso precisa de cirurgia, mas todo caso merece um plano.
Atendo no Einstein Morumbi e por teleconsulta. Se quiser entender o seu caso, é só chamar pelo WhatsApp: (11) 91416-7579.
Dr. Rogério Serpone Bueno · Ortopedia e Traumatologia, Cirurgia do Ombro e Cotovelo · CRM/SP 105.133 · RQE 23065. Este texto tem caráter informativo e não substitui a consulta médica.




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