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Lesão do manguito rotador: quando dá para tratar sem cirurgia e quando operar

Foto do escritor: Rogerio Serpone Bueno
Rogerio Serpone Bueno
há 7 dias
3 min de leitura

Atualizado: há 7 dias

"Tenho uma lesão no manguito rotador. Vou ter que operar?" Essa é provavelmente a pergunta que mais ouço no consultório, quase sempre com o laudo da ressonância na mão. A resposta curta: na maioria das vezes, não de cara. Mas existem casos em que esperar demais tem custo, e é essa diferença que vale entender.

O que é o manguito rotador

São quatro músculos e seus tendões (supraespinal, infraespinal, redondo menor e subescapular) que envolvem a cabeça do úmero e mantêm o ombro centrado enquanto você levanta e gira o braço. O tendão mais atingido é o supraespinal, que passa por um espaço estreito logo abaixo do acrômio.

Sintomas mais comuns

  • Dor na parte da frente ou de lado do ombro, que pode descer até o meio do braço.

  • Dor para levantar o braço acima da cabeça, pentear o cabelo ou pegar algo no alto.

  • Dor à noite, principalmente ao deitar sobre o lado afetado.

  • Perda de força: o braço "não obedece" para segurar peso longe do corpo.

A lesão pode surgir aos poucos, por desgaste (o mais comum depois dos 40 anos), ou de repente, depois de uma queda ou de um esforço com o braço. Nem toda dor no ombro é manguito: bursite, capsulite adesiva e problemas na coluna cervical podem dar sintomas parecidos.

Lesão parcial ou completa: por que isso importa

Na lesão parcial, o tendão está danificado mas ainda inteiro. Na completa, ele se rompeu de lado a lado e perdeu parte da fixação no osso. Muitas lesões parciais ficam estáveis por anos e respondem bem ao tratamento sem cirurgia. Uma parte delas, porém, aumenta com o tempo: o consenso europeu de 2026 (ESSKA-ESA) sobre lesões parciais fala em progressão em até 11% dos casos em 2 anos e até 35% em 5 anos. Por isso o acompanhamento importa.

Na lesão completa, o tempo pesa de outro jeito. Quando o tendão fica solto por muito tempo, o músculo atrofia e vai sendo substituído por gordura (a chamada infiltração gordurosa). Essa alteração costuma não voltar atrás, mesmo depois de uma cirurgia bem feita. Em pacientes ativos com rupturas completas, principalmente as traumáticas, a demora pode limitar o resultado.

Como é feito o diagnóstico

Começa pela conversa e pelo exame físico: testes de força e de movimento já dizem muito. O ultrassom e a ressonância magnética confirmam o tipo, o tamanho da lesão e o estado do músculo. O laudo, sozinho, não define a conduta: duas pessoas com a mesma imagem podem precisar de tratamentos diferentes, conforme a idade, a atividade e o quanto o ombro atrapalha a vida.

Tratamento sem cirurgia

É o primeiro caminho para a maioria das lesões parciais e para muitas lesões degenerativas. Envolve fisioterapia focada em fortalecer o manguito e os músculos da escápula, controle da dor com medicação e, em alguns casos, infiltração. Ajustar a rotina também faz parte: menos carga acima da cabeça por um tempo, e não repouso total. Costuma levar algumas semanas a poucos meses para avaliar a resposta.

Quando a cirurgia entra na conversa

  • Ruptura completa após trauma, com perda de força, principalmente em pessoas ativas.

  • Dor e limitação que continuam apesar de um tratamento conservador bem feito.

  • Lesão que aumentou nos exames de controle.

Hoje a maior parte dos reparos é feita por artroscopia, com pequenas incisões: o tendão é refixado ao osso com âncoras e fios. Em lesões muito antigas, com o músculo já muito comprometido, existem outras opções, inclusive prótese de ombro em casos selecionados. Toda cirurgia tem riscos e um período de recuperação que precisa ser discutido antes, sem pressa.

Como costuma ser a recuperação

Depois do reparo, o braço geralmente fica em tipoia por algumas semanas para proteger a cicatrização do tendão. A fisioterapia começa cedo, com movimentos leves, e o fortalecimento vem depois. A volta às atividades do dia a dia leva alguns meses, e esportes com o braço acima da cabeça costumam levar mais. O tempo varia bastante conforme o tamanho da lesão, a qualidade do tendão e a dedicação à reabilitação.

Quando procurar um especialista

Se a dor no ombro passou de algumas semanas, se ela te acorda à noite ou se você perdeu força para levantar o braço, vale uma avaliação. Depois de uma queda com perda súbita de força, não espere: é nesses casos que o tempo mais conta.

Atendo no Einstein Morumbi e por teleconsulta. Se quiser entender o seu caso antes de decidir qualquer coisa, é só chamar pelo WhatsApp: (11) 91416-7579.

Dr. Rogério Serpone Bueno · Ortopedia e Traumatologia, Cirurgia do Ombro e Cotovelo · CRM/SP 105.133 · RQE 23065. Este texto tem caráter informativo e não substitui a consulta médica.

 
 
 

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