Ombro congelado (capsulite adesiva): por que trava, quanto tempo dura e o que ajuda

Atualizado: há 7 dias
A história costuma ser parecida: não houve queda, não houve pancada, e mesmo assim o ombro foi ficando dolorido e duro. Primeiro ficou difícil prender o sutiã ou pegar a carteira no bolso de trás. Depois, a dor começou a acordar a pessoa à noite. Quando chega ao consultório, muita gente já tentou de tudo achando que era tendinite.
O que é o ombro congelado
O ombro é envolvido por uma cápsula, uma espécie de "bolsa" de tecido que precisa ser elástica para o braço se mover em todas as direções. Na capsulite adesiva, essa cápsula inflama, engrossa e encolhe. O resultado é dor e perda de movimento, tanto para a pessoa levantar o braço sozinha quanto quando outra pessoa tenta movê-lo. Esse detalhe ajuda a diferenciar de uma lesão de tendão.
Quem tem mais risco
Pessoas entre 40 e 60 anos, com predomínio em mulheres.
Quem tem diabetes, em quem a capsulite é bem mais frequente e costuma ser mais teimosa.
Alterações da tireoide.
Quem ficou com o braço imobilizado ou passou por cirurgia recente, no ombro ou em outro lugar.
As três fases
A capsulite costuma seguir um caminho previsível, e entender em que fase você está muda o tratamento:
Congelamento: a dor é a protagonista, inclusive à noite, e o movimento vai diminuindo semana a semana.
Congelado: a dor tende a aliviar, mas o ombro fica no auge da rigidez.
Descongelamento: o movimento volta aos poucos, ao longo de meses.
Somadas, as fases costumam levar de um a três anos. A maioria das pessoas recupera um movimento bom para a vida do dia a dia, mas parte delas fica com alguma limitação residual. Por isso vale tratar, e não só esperar.
Como é feito o diagnóstico
O diagnóstico é principalmente clínico: a história e o exame físico, especialmente a perda da rotação do braço para fora. O raio-X serve para descartar artrose e outras causas de ombro rígido. Ultrassom e ressonância ajudam em casos selecionados, por exemplo quando há dúvida sobre uma lesão de tendão associada.
O que ajuda em cada fase
Controlar a dor é prioridade na fase inicial: medicação e, em muitos casos, uma infiltração dentro da articulação, que nessa fase costuma trazer alívio importante.
Fisioterapia com alongamentos suaves, dentro do limite da dor. Forçar demais na fase dolorosa costuma piorar, não acelerar.
Exercícios em casa, todos os dias, orientados pelo fisioterapeuta.
Controle do diabetes e da tireoide, quando presentes.
Em casos selecionados, hidrodilatação: uma injeção de volume dentro da articulação para distender a cápsula.
Quando a cirurgia entra na conversa
Para a minoria que, depois de meses de tratamento bem conduzido, continua com rigidez que limita a vida. A opção mais usada hoje é a liberação artroscópica da cápsula, feita por pequenas incisões. Depois dela, a fisioterapia precoce é parte essencial do resultado. Como qualquer cirurgia, tem riscos e recuperação próprios, que precisam ser discutidos com calma antes.
Quando procurar um especialista
Se o ombro está perdendo movimento, se a dor acorda você à noite ou se gestos simples, como vestir uma blusa, ficaram difíceis, vale uma avaliação. Na fase inicial, o tratamento costuma ter boa resposta, e identificar a capsulite cedo evita meses de tratamentos que não combinam com o problema.
Atendo no Einstein Morumbi e por teleconsulta. Se quiser entender o seu caso, é só chamar pelo WhatsApp: (11) 91416-7579.
Dr. Rogério Serpone Bueno · Ortopedia e Traumatologia, Cirurgia do Ombro e Cotovelo · CRM/SP 105.133 · RQE 23065. Este texto tem caráter informativo e não substitui a consulta médica.




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