Bursite e tendinite do ombro: o que realmente ajuda (e o que não precisa ser feito)

"Doutor, é bursite ou tendinite?" Na prática, as duas costumam andar juntas, e o nome importa menos do que entender o que está sobrecarregando o ombro. A boa notícia: a grande maioria desses casos melhora sem cirurgia, desde que o tratamento seja o certo.
O que são bursite e tendinite do ombro
Logo abaixo do acrômio, o osso no alto do ombro, passam os tendões do manguito rotador. Entre eles e o osso existe a bursa, uma pequena bolsa que reduz o atrito. Quando o ombro é sobrecarregado, os tendões ficam irritados (tendinopatia, que todo mundo chama de tendinite) e a bursa inflama (bursite). Muitas vezes o diagnóstico aparece como síndrome do impacto ou dor subacromial.

Existe ainda a tendinite calcária: um depósito de cálcio dentro do tendão, que pode não dar sintoma nenhum por anos e, de repente, provocar uma das dores mais fortes que se vê no ombro.
Sintomas mais comuns
Dor na parte de cima ou do lado do ombro, que pode descer pelo braço.
Dor ao levantar o braço, principalmente numa faixa do meio do movimento.
Dor à noite e para deitar sobre o ombro.
Na tendinite calcária em crise: dor intensa e súbita, que impede mexer o braço.
Costuma aparecer em quem trabalha com o braço elevado, nada, joga tênis ou vôlei, faz musculação, ou em quem aumentou a carga de repente depois de um tempo parado.
Como é feito o diagnóstico
O exame físico diz muito. O raio-X mostra calcificações e a forma do acrômio, e o ultrassom ou a ressonância avaliam os tendões e a bursa. Uma parte importante da consulta é diferenciar de outras causas parecidas, como a lesão do manguito rotador, o ombro congelado e a dor que vem da coluna cervical. Vale lembrar: laudo de "bursite" ou de "tendinose" é muito comum em pessoas sem dor, então o exame precisa combinar com o que se vê na consulta.
O que realmente ajuda
Exercícios orientados por fisioterapeuta, para fortalecer o manguito e os músculos da escápula. É a base do tratamento e o que tem melhor evidência.
Ajustar a carga por um tempo, sem parar de mexer o ombro.
Medicação para dor por períodos curtos.
Infiltração na bursa em casos selecionados: costuma aliviar e ajudar a fazer os exercícios, mas não substitui o fortalecimento.
Na tendinite calcária que não melhora: ondas de choque ou a lavagem da calcificação guiada por ultrassom, conforme o caso.
E a cirurgia?
Para bursite e tendinite sem ruptura, a cirurgia raramente é necessária. Estudos bem conduzidos mostraram que a descompressão subacromial, cirurgia que por anos foi muito indicada para esse problema, não traz resultado melhor do que um bom programa de exercícios na maioria das pessoas. Ela fica reservada para situações específicas, como calcificações que não respondem a nada ou quando existe uma lesão associada que precise de reparo. Se alguém indicou cirurgia para uma "bursite", vale entender bem o porquê antes de decidir.
Quando procurar um especialista
Se a dor já passou de algumas semanas, se acorda você à noite, se veio junto com perda de força ou se apareceu de forma súbita e muito intensa, vale uma avaliação. Na maioria das vezes, o caminho é conservador, mas precisa ser o caminho certo.
Atendo no Einstein Morumbi e por teleconsulta. Se quiser entender o seu caso, é só chamar pelo WhatsApp: (11) 91416-7579.
Dr. Rogério Serpone Bueno · Ortopedia e Traumatologia, Cirurgia do Ombro e Cotovelo · CRM/SP 105.133 · RQE 23065. Este texto tem caráter informativo e não substitui a consulta médica. Imagens ilustrativas.




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