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Luxação do ombro: por que ele volta a sair e quando pensar em cirurgia

Foto do escritor: Rogerio Serpone Bueno
Rogerio Serpone Bueno
11 de out.
3 min de leitura

"Saiu, colocaram no lugar e eu voltei a jogar na semana seguinte." Ouço isso com frequência, geralmente de alguém jovem que está no consultório porque o ombro saiu de novo. Colocar o ombro no lugar resolve a urgência, mas não conserta o que se rompeu lá dentro.

O que acontece numa luxação

O ombro é a articulação com mais movimento do corpo, e paga um preço por isso: a cabeça do úmero é bem maior que a cavidade onde se apoia (a glenóide). Na luxação mais comum, o braço está levantado e girado para fora, num bloqueio, numa queda ou num arremesso, e a cabeça do úmero escapa para a frente.

Ilustração em três etapas do mecanismo da luxação anterior do ombro e da lesão de Bankart
Como acontece a luxação anterior do ombro.

Nesse caminho, a cabeça do úmero costuma arrancar o lábio da glenóide (o labrum), uma borda de tecido que funciona como um "para-choque" e ajuda a manter o ombro centrado. É a chamada lesão de Bankart. Também pode haver um afundamento na cabeça do úmero (lesão de Hill-Sachs) e, em alguns casos, perda de um pedaço de osso da própria glenóide.

Ilustração anatômica do ombro mostrando a lesão do lábio da glenóide (lesão de Bankart)
Lesão de Bankart: o lábio da glenóide se desprende da borda do osso.

Por que o ombro volta a sair

Sem o "para-choque", o ombro fica mais fácil de escapar de novo, e cada nova luxação tende a aumentar o estrago na cartilagem e no osso. O risco de repetição depende muito da idade e da atividade. Num estudo clássico com jovens cadetes militares tratados sem cirurgia (Wheeler e colaboradores, 1989), a luxação voltou a acontecer em 92% deles. É um grupo específico, não uma previsão para todos, mas mostra por que o jovem que pratica esporte merece uma avaliação cuidadosa já depois do primeiro episódio.

Quem tem mais risco de nova luxação

  • Jovens, especialmente abaixo dos 25 anos.

  • Quem pratica esporte de contato ou com o braço acima da cabeça: futebol (goleiro), rugby, jiu-jitsu, vôlei, handebol, natação.

  • Quem já teve mais de um episódio.

  • Quem tem perda de osso na glenóide nos exames.

Depois dos 40 anos, a preocupação muda: a luxação repete menos, mas aumenta a chance de ter rompido junto o manguito rotador ou de ter lesionado um nervo. Se o braço continua fraco semanas depois, isso precisa ser investigado.

Como é feito o diagnóstico

Na urgência, o raio-X confirma a luxação e descarta fraturas antes e depois de colocar o ombro no lugar. Depois, o exame físico avalia estabilidade, força e nervos. A ressonância mostra o labrum, a cartilagem e o manguito, e a tomografia ajuda a medir com precisão a perda de osso, que é decisiva para escolher o tratamento.

Tratamento sem cirurgia

Depois da redução, o braço fica em tipoia por um período curto, e em seguida vem a fisioterapia para recuperar movimento, força e controle do ombro. É uma opção válida para muitas pessoas, principalmente com menor demanda esportiva ou mais velhas. O retorno ao esporte deve ser gradual e só depois de recuperar força e confiança no movimento.

Quando a cirurgia entra na conversa

  • Luxações que se repetem ou sensação de que o ombro "vai sair" em certos movimentos.

  • Jovem atleta de alto risco, em que a conversa pode começar já depois do primeiro episódio.

  • Perda de osso significativa ou lesões associadas, como ruptura do manguito.

Na maioria dos casos, o reparo é feito por artroscopia: o labrum é refixado à borda da glenóide com pequenas âncoras. Quando falta osso, pode ser necessário um procedimento que reconstrói a borda da glenóide, como a cirurgia de Latarjet. A escolha depende do exame, das imagens e do esporte de cada pessoa, e toda cirurgia tem riscos e recuperação que precisam ser discutidos antes, com calma.

Quando procurar um especialista

Se o ombro saiu do lugar, mesmo uma vez, vale uma avaliação com ortopedista de ombro antes de voltar ao esporte. Se já aconteceu mais de uma vez, ou se o braço ficou fraco ou dormente, não espere a próxima. E, no momento da luxação, procure atendimento de urgência: não tente colocar o ombro no lugar por conta própria.

Atendo no Einstein Morumbi e por teleconsulta. Se quiser entender o seu caso, é só chamar pelo WhatsApp: (11) 91416-7579.

Dr. Rogério Serpone Bueno · Ortopedia e Traumatologia, Cirurgia do Ombro e Cotovelo · CRM/SP 105.133 · RQE 23065. Este texto tem caráter informativo e não substitui a consulta médica. Imagens ilustrativas.

 
 
 

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