Epicondilite lateral (cotovelo de tenista): por que demora a passar e o que realmente ajuda

Atualizado: há 7 dias
Quase ninguém que chega com epicondilite lateral joga tênis. O nome "cotovelo de tenista" pegou, mas no consultório o que mais vejo é gente que digita o dia todo, carrega sacola, faz musculação ou passou um fim de semana pintando parede. E quase todos chegam com a mesma queixa: "já faz meses e não melhora".
O que é a epicondilite lateral
É um problema no tendão que prende os músculos extensores do punho na parte de fora do cotovelo (o epicôndilo lateral). Apesar do sufixo "ite", que sugere inflamação, o que acontece de fato é uma degeneração do tendão por sobrecarga repetida: ele não consegue se recuperar entre um esforço e outro. Aparece mais entre os 35 e os 55 anos.

Quando a dor é do lado de dentro do cotovelo, o nome muda para epicondilite medial, ou "cotovelo de golfista". O raciocínio é parecido, mas envolve os tendões que dobram o punho.
Sintomas mais comuns
Dor na parte de fora do cotovelo, que pode irradiar para o antebraço.
Dor para segurar uma xícara, abrir um pote, girar a maçaneta ou apertar a mão de alguém.
Sensação de fraqueza para pegar objetos com o braço esticado.
Um ponto bem localizado que dói ao apertar, logo abaixo do osso saliente do cotovelo.
Por que demora tanto a passar
Tendão tem pouca circulação e se remodela devagar. Somado a isso, é difícil parar de usar a mão: a carga continua todos os dias. A boa notícia é que a grande maioria das pessoas melhora sem cirurgia, mas o processo costuma levar meses, e em parte dos casos chega a um ano. Saber disso desde o início evita frustração e troca de tratamento a cada duas semanas.
Como é feito o diagnóstico
Na maior parte das vezes, a conversa e o exame físico bastam. Ultrassom ou ressonância ajudam quando a dor não segue o padrão esperado, quando não melhora com o tratamento ou para descartar outras causas, como compressão de nervo, problemas na articulação ou dor que vem da coluna cervical.
O que realmente ajuda
Ajustar a carga, não parar tudo: reduzir o que piora a dor (pegar peso com a palma para baixo, por exemplo) sem imobilizar o braço.
Exercícios progressivos de fortalecimento dos extensores do punho, orientados por fisioterapeuta. É a base do tratamento.
Faixa (brace) no antebraço, que alivia a tensão no tendão durante as atividades.
Ajustes no posto de trabalho, na pegada do mouse, da raquete ou das ferramentas.
Medicação para dor por períodos curtos, quando necessário.
Uma observação sobre infiltração com corticóide: ela costuma aliviar rápido, mas os estudos mostram que, a médio prazo, o resultado não é melhor e a dor tende a voltar com mais frequência. Por isso não é minha primeira escolha. Outras opções, como plasma rico em plaquetas e ondas de choque, podem ser discutidas em casos selecionados, mas a evidência ainda é variável.
Quando a cirurgia entra na conversa
Só para uma minoria: quem continua com dor que atrapalha a vida depois de muitos meses de tratamento bem feito, geralmente entre seis meses e um ano. A cirurgia remove o tecido degenerado do tendão e pode ser feita por via aberta ou artroscópica. Como qualquer cirurgia, tem riscos e um período de recuperação que precisa ser discutido antes, com calma.
Quando procurar um especialista
Se a dor já passou de algumas semanas, se está atrapalhando o trabalho ou o treino, ou se aparecem formigamento, perda de movimento ou inchaço importante, vale uma avaliação. Quanto antes a carga for ajustada do jeito certo, mais curto costuma ser o caminho.
Se a dor começou de repente, com um estalo na frente do cotovelo durante um esforço, o quadro é outro e pode ser uma ruptura do bíceps distal, que precisa de avaliação rápida.
Atendo no Einstein Morumbi e por teleconsulta. Se quiser entender o seu caso, é só chamar pelo WhatsApp: (11) 91416-7579.
Dr. Rogério Serpone Bueno · Ortopedia e Traumatologia, Cirurgia do Ombro e Cotovelo · CRM/SP 105.133 · RQE 23065. Este texto tem caráter informativo e não substitui a consulta médica.




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