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Epicondilite lateral (cotovelo de tenista): por que demora a passar e o que realmente ajuda

Foto do escritor: Rogerio Serpone Bueno
Rogerio Serpone Bueno
11 de out.
3 min de leitura

Atualizado: há 7 dias

Quase ninguém que chega com epicondilite lateral joga tênis. O nome "cotovelo de tenista" pegou, mas no consultório o que mais vejo é gente que digita o dia todo, carrega sacola, faz musculação ou passou um fim de semana pintando parede. E quase todos chegam com a mesma queixa: "já faz meses e não melhora".

O que é a epicondilite lateral

É um problema no tendão que prende os músculos extensores do punho na parte de fora do cotovelo (o epicôndilo lateral). Apesar do sufixo "ite", que sugere inflamação, o que acontece de fato é uma degeneração do tendão por sobrecarga repetida: ele não consegue se recuperar entre um esforço e outro. Aparece mais entre os 35 e os 55 anos.

Ilustração anatômica do cotovelo mostrando o epicôndilo lateral e o epicôndilo medial
Epicôndilo lateral (cotovelo de tenista) e medial (cotovelo de golfista).

Quando a dor é do lado de dentro do cotovelo, o nome muda para epicondilite medial, ou "cotovelo de golfista". O raciocínio é parecido, mas envolve os tendões que dobram o punho.

Sintomas mais comuns

  • Dor na parte de fora do cotovelo, que pode irradiar para o antebraço.

  • Dor para segurar uma xícara, abrir um pote, girar a maçaneta ou apertar a mão de alguém.

  • Sensação de fraqueza para pegar objetos com o braço esticado.

  • Um ponto bem localizado que dói ao apertar, logo abaixo do osso saliente do cotovelo.

Por que demora tanto a passar

Tendão tem pouca circulação e se remodela devagar. Somado a isso, é difícil parar de usar a mão: a carga continua todos os dias. A boa notícia é que a grande maioria das pessoas melhora sem cirurgia, mas o processo costuma levar meses, e em parte dos casos chega a um ano. Saber disso desde o início evita frustração e troca de tratamento a cada duas semanas.

Como é feito o diagnóstico

Na maior parte das vezes, a conversa e o exame físico bastam. Ultrassom ou ressonância ajudam quando a dor não segue o padrão esperado, quando não melhora com o tratamento ou para descartar outras causas, como compressão de nervo, problemas na articulação ou dor que vem da coluna cervical.

O que realmente ajuda

  • Ajustar a carga, não parar tudo: reduzir o que piora a dor (pegar peso com a palma para baixo, por exemplo) sem imobilizar o braço.

  • Exercícios progressivos de fortalecimento dos extensores do punho, orientados por fisioterapeuta. É a base do tratamento.

  • Faixa (brace) no antebraço, que alivia a tensão no tendão durante as atividades.

  • Ajustes no posto de trabalho, na pegada do mouse, da raquete ou das ferramentas.

  • Medicação para dor por períodos curtos, quando necessário.

Uma observação sobre infiltração com corticóide: ela costuma aliviar rápido, mas os estudos mostram que, a médio prazo, o resultado não é melhor e a dor tende a voltar com mais frequência. Por isso não é minha primeira escolha. Outras opções, como plasma rico em plaquetas e ondas de choque, podem ser discutidas em casos selecionados, mas a evidência ainda é variável.

Quando a cirurgia entra na conversa

Só para uma minoria: quem continua com dor que atrapalha a vida depois de muitos meses de tratamento bem feito, geralmente entre seis meses e um ano. A cirurgia remove o tecido degenerado do tendão e pode ser feita por via aberta ou artroscópica. Como qualquer cirurgia, tem riscos e um período de recuperação que precisa ser discutido antes, com calma.

Quando procurar um especialista

Se a dor já passou de algumas semanas, se está atrapalhando o trabalho ou o treino, ou se aparecem formigamento, perda de movimento ou inchaço importante, vale uma avaliação. Quanto antes a carga for ajustada do jeito certo, mais curto costuma ser o caminho.

Se a dor começou de repente, com um estalo na frente do cotovelo durante um esforço, o quadro é outro e pode ser uma ruptura do bíceps distal, que precisa de avaliação rápida.

Atendo no Einstein Morumbi e por teleconsulta. Se quiser entender o seu caso, é só chamar pelo WhatsApp: (11) 91416-7579.

Dr. Rogério Serpone Bueno · Ortopedia e Traumatologia, Cirurgia do Ombro e Cotovelo · CRM/SP 105.133 · RQE 23065. Este texto tem caráter informativo e não substitui a consulta médica.

 
 
 

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